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17:45

6° Conto da Série "Desejos de Mulher" - A Onda do Prazer

A Onda do Prazer - Aninha


Muitos pensam que vida de surfista é vida boa, apenas pegar onda e viver nas marolas da vida. Mas não é bem assim que a Aninha pensa. Ela é uma mulher madura, com seus trinta e poucos anos busca mais do que tem vivido da vida. Muito bonita, como uma atleta é, ela busca novas oportunidades, novos horizontes, mas ainda sim esta presa as ondas do passado. Ela vive no meio de muitos homens e nas praias do mundo o machismo ainda impera, onde ela tem que provar todos os dias sua capacidade de vence-los se for preciso. Só que ela anda cansada de vence-los para provar algo a alguém, ela quer mais, quer vencer na vida por ela mesma.
A dificuldade dela vem de berço, onde o pai dela ficou muito frustrado ao saber que sua mãe esperava uma menina e não um surfista. Ela nunca conseguiu ter a admiração do pai por seu uma mulher no surf, ele sempre a viu como apenas uma metida no meio dos surfistas. Ela sempre sofreu com isso, tentou várias vezes conversar com ele sobre isso, mas em todas foi em vão. Isso dificultou a vida amorosa de Aninha.
Ela nunca conseguiu se envolver com alguém sem sofrer, sempre buscando no outro mais do que eles podiam dar a ela. Ela sempre quis suprir a falta amorosa da figura masculina no lugar de pai em seus relacionamentos, mas isso tornou-a chata e como dizem os homens, pegajosa. Com isso todos usavam e abusavam dela, no bom sentido, sem agressões físicas, e quando não mais tinham interesse em suportar suas carências a deixavam sem pensar duas vezes. Seu ultimo relacionamento foi bem assim.
Ela namorava o Pingo a pouco mais de três meses, estava feliz e confiante que desta vez faria a coisa certa. Ela sabia que sua carência prejudicava seus relacionamentos, então estava disposta a se tornar mais agradável. O problema é que isso é muito difícil para ela e em um determinado dia ela se irritou quando ele a trocou por uma ida na casa de um amigo para assistir futebol. Ela questionou o fato dele não querer assistir um filem com ela em plena quarta feira, "dia de namorar", sendo que no final de semana que passou ele também teve pouco tempo para ela treinando para um novo campeonato de surf. Bom, em resumo o namoro acabou ali, ele alegou que ela estava querendo colocar cabresto nele e que ele não estava pronto para relacionamentos sérios. Pulou fora sem pensar duas vezes, deixando Aninha mais uma vez sofrendo por amor sentindo-se pela milésima vez usada.
Desta vez sua dor ficou triplicada pois coincidiu com o falecimento de seu pai. Foi um choque e completamente inesperado. Ele estava sentado assistindo a tv quando ela chegou em casa depois de um dia trabalhando no quiosque de sua mãe na praia.
- Oi pai, boa noite.  - Ela o cumprimentou
- Já em casa? Cadê a sua mãe?
- Esta vindo, só esta colocando o lixo na lixeira que não demora o lixeiro vai passar. - Pra variar ele tinha esquecido disso.
- Bom, pois estou com fome.
- Eu faço alguma coisa para você comer pai, é só me dizer o que o senhor quer.
- Não. Deixa que sua mãe faz.
Ela achava isso um absurdo. A mãe trabalha o dia todo no quiosque atendendo a turistas e frequentadores assíduos com a maior disposição e ainda tem que chegar em casa e dar de comer ao seu pai. Ele foi aposentado por invalidez quando sofreu um acidente de trabalho na fábrica de pranchas de surf da região. O acidente lesionou seu pé que foi parcialmente amputado. A indignação dela é que ela quer ajudar só que ele não permite. Tudo por conta de sua frustração em ela não ter nascido homem.
Desta vez Aninha resolveu que não o ouviria e foi para a cozinha preparar o jantar. Sua mãe já tinha separado pedaços de frangos para assar e também a salada, ela só os temperou e preparou tudo. Depois que colocou a frango para assar ela foi tomar banho, daria tempo com folga para que ela cuidasse do jantar após o banho. Só que assim que ela saiu do banho ouviu os gritos de sua mãe e saiu apenas enrolada na toalha. Encontrou seu pai sentado no sofá morto com sua mãos aos seus pés completamente desesperada.
Daquele dia em diante Aninha passou a viver uma vida diferente de tudo que ela viveu. Passou a beber um pouco além da conta e a perder um pouco o senso do ridículo, fazendo a mãe ter trabalho dobrado com ela. Aninha passou a usar os homens da mesma maneira que eles usam muitas mulheres, assim como ela. passou a vestir-se mais provocante, surfava com biquínis menores e muitas vezes acabava por perder a parte de cima no quebrar das ondas. Ela estava desorientada e não ouvia ninguém, só chorava quando bebia demais, pedindo perdão a mãe e ao pai por não ter nascido homem.
Certo dia sua mãe chegou ao seu limite quando encontrou a filha parcialmente nua provocando um dos surfistas da praia. Decidida a mãe de Aninha a levou a uma médica do posto que disse que Aninha precisava fazer uma terapia e que conhecia um médico na cidade vizinha que vinha fazendo um bom trabalho na área sexual. Aninha foi contra, disse que era perda de tempo, que ela sabia o que fazia, mas sua mãe não abriu mão e a levou na semana seguinte a consulta com o Dr Gabriel.
Lá a mãe de Aninha conversou primeiro com o terapeuta por alguns instantes e em seguida ela saiu para que Aninha, muito contrariada entrasse. Foram necessárias duas seções para que a Aninha ao menos olhasse para o terapeuta em sua frente.
Aninha observou o terapeuta em sua frente, analisando-o tanto quando ele a analisava.
- O que foi Aninha? - Questionou o Dr Gabriel, mas ela manteve-se calada e desviou o olhar. - Podemos conversar um pouco? - Ela nada respondeu. - Vamos fazer assim Aninha eu vou falando, perguntando. E quando você achar que deve responde, certo?
Desta vez Aninha balançou a cabeça positivamente. Dr Gabriel começou a falar sobre a vida dela, ou pelo menos ao que a sua mãe tinha falado. Elogiando-a muito, Dr Gabriel falou do quão desejada ela foi, pois a gravidez de sua mãe era a terceira tentativa e quando ela nasceu sua alegria se triplicou ao ver que teria uma amiga em sua vida. Aninha chorava. Continuou falando um pouco de sua infância, mas apenas de coisas boas dela, até que tocou num ponto doloroso a ela.
- Então Aninha, você é uma linda e talentosa surfista no meio de muitos homens, Certo?
- Na verdade não sou talentosa. Esforço-me para não decepcionar ninguém, mas não tenho muito êxito.
- Você fala isso por seu pai, Aninha? - Ela o olhou por algum tempo e então desandou a falar.
- Ele nunca me amou, nunca me aceitou como uma mulher. Nunca tive seu carinho, seu amor, mesmo mendigando o pouco que ele me dava por obrigação, ou por pressão de minha mãe. - Ela chorava, mas era um choro de raiva. - Eu nunca fui boa o bastante principalmente pelo fato de eu não ter nascido homem. Na verdade acho que não sirvo nem como mulher, já que todos me veem como um nada e me tratam igualmente a algo insignificante. O único lugar que me sinto gente é no mar, meu lugar de paz.
- Chegamos ao ponto "G" Aninha. - Disse o terapeuta dando um tapa na prancheta, propositalmente para tirar a atenção dela de suas dores e abrir sua mente para as possibilidades. - Aninha ai esta o problema, VOCÊ!
- Mas é essa a conclusão que você chegou depois de duas consultas inúteis? Nossa, estou surpresa! - Falou debochando.
- Na verdade menina o problema é você, mas não você para os outros, e sim você para você mesma.
Ela nada entendeu, mas o Dr Gabriel resolveu mexer com os instintos dela como mulher e faze-la se descobrir. Descobrir que ela é mais que uma mulher, que ela é mais do que um homem, que ela é única!
- Aninha vejamos... - Pensou ele. - Vamos ao seu mundo, ao seu lugar de paz, como você me disse, o mar. Imagine-se nele, em como você se sente nele. - Ela passou a relaxar e respirar como quem inala a brisa marítima. - Agora sinta essa paz, viva esse momento em que você é feliz pelo que você é, sem descriminações.
- Eu me sinto livre. - Disse ela completamente relaxada. - As ondas são parecidas comigo, com meu jeito de encarar a vida, ou pelo menos com o que eu era. - Ela estava melancólica. - O sobe e desce e o vai e vem das ondas, sem que isso abale sua magnitude é bem o que eu sinto em minha vida. Sou capaz, provo isso todos os dias, mas não para mim mesma, e sim para os que teimam em duvidar.
- Exato Aninha, você é tão capaz de tudo que quiser quanto esse mar que te trás essa paz, e não precisa que os outros aprovem seu jeito de ser, és superior a esse sentimento a essa necessidade. Agora vamos sair das ondas e ir a terra firme. - O que você sente?
- Medo! - Declarou ela convicta.
- Medo? Mas do que? Consegue me dizer? - Questionou o DR Gabriel.
Ela então tocou seu próprio corpo, como quem se analisa e teve um leve tremor.
- Eles não me veem como eu sou.
- Eles quem Aninha?
- Os homens. Eles não me aceitam, não me querem, apenas me usam.
- Mas Aninha você esta falando de "quem" especificamente? - O Dr Gabriel queria provoca-la a entender que existia só um alguém que na cabeça dela não a aceitava.
- Dele, meu pai. - Ela voltou a chorar.
- Mas Aninha, você já deve ter lidado com a perda, afinal já fazem seis meses da partida do seu pai desse mundo.
- Mas ele ainda me perturba.
- Não é ele Aninha, é você. - Disse convicto o terapeuta. - Mas vamos a outro ponto, os homens. Existe alguém?
- Não! - Ela foi definitiva.
- Mas já existiu, certo?
Aninha pensou, pensou e lembrou do único homem que se não fosse o destino a o afastar dela teria a aceitado do jeitinho que ela é.
- Sim, o Thygo.
- Fale dele para mim, por favor.
- Ele foi o único que nunca abusou de mim, que nunca ultrapassou limites depois do terceiro encontro. Ele é um homem que sabe valorizar uma mulher. Soube ver em mim qualidades que ninguém via e me valorizar, mas o destino o levou para o outro lado do mundo, na Austrália, e eu nunca mais o verei de novo.
- Por que você diz isso? Por acaso ele sumiu ou ainda corresponde-se com você?
- Na verdade recebo e-mail´s periodicamente dele, mas nunca os respondo. Ele também sofreu muito com a nossa separação, isso que estávamos juntos a pouco mais de um mês.
- E porque você não se corresponde com ele?
- Por medo, por vergonha... Ah, não sei o por que. - Ela parecia irritada.
- Mas eu sei Aninha. - Ele disse e ela o olhou agora assustada. - Por medo de se aceitar pelo que você é. Afinal com ele você não precisa provar nada para ninguém, não precisa até ser quem você não é. Ele gosta de você simplesmente por você ser a Aninha.
Ela olhou para o Dr completamente emocionada, mas não tinha forças para expressar o que estava sentindo com palavras, então o Dr resolveu que viajar em sua imaginação pudesse a ajudar a soltar um pouco da Aninha escondida dentro dela mesma.


Ela estava mais uma vez curtindo um momento no mar, seu refúgio, seu recarregador de baterias. Ao sair do mar carregando sua prancha viu ao longe um homem se aproximar. Ele era alto, moreno e tinha o caminhar mais sexy que ela já tinha visto. estava serio e quando foi se aproximando Aninha percebeu que conhecia muito bem aquele rosto assim como todo o conjunto da obra. Deixou-o aproximar e fez um charme com os cabelos molhados assim que pode se desvencilhar da prancha de surf. Ele parou em frente a ela, cruzou os braços e acabou por fazer uma cara de poucos amigos, apesar de ter seus olhos ardendo de desejo.
- Por que me olhas se não me amas? - Ela estava afim de cutucar a onça com vara curta.
- Boa pergunta. - Thygo desarmou-a.
Ela baixou a cabeça, completamente envergonhada. Estava se achando com a bola toda e recebeu uma negativa bem no meio da cara.
- Aninha eu preciso resolver algo com você. Algo que ficou no passado, mas que ainda me atormenta muito. - Thygo estava usando um tom melancólico.
- Resolver? Não sei do que você esta falando. - Defendendo atacando, melhor alternativa para os fracos.
- Não se faça de desentendida menina, sabes muito bem do que falo. Falo sobre nós.
- Nós? Você foi embora Thygo, você seguiu sua vida e eu fiquei, fim da história "nós".
- Nossa, parece tão simples para você que pela primeira vez na vida sinto-me um ser insignificante. - Triste Thygo sentou-se na areia, colocando a cabeça por entre as pernas.
Ela sentiu-se a própria "malévola" agora. Pensou em sair correndo e esquecer tudo, inclusive o homem de sua vida sentado desiludido por suas palavras doídas. Mas seu bom coração falou mais alto e ela sentou-se ao lado dele.
- Você não sente falta desta brisa? Deste mar? Deste lugar Thygo?
- Na verdade Aninha tenho tudo isso lá onde estou vivendo, e descobri que não é necessariamente disso que preciso para ser feliz.
Ele virou o rosto para olha-la e então ela percebeu a emoção em seus olhos.
- Do que você ainda precisa então, Thygo?
Ele continuou olhando-a e ao que parece analisando cada mínimo movimento que seu corpo fazia, esperando pelo sinal verde para prosseguir. Quando Aninha suspirou profundamente olhando ainda em seus olhos, Thygo não mais conteve e com seus braços fortes segurou-a e sentou-a em seu colo, fazendo suas pernas envolverem seu corpo.



 - Preciso de você, Aninha. - Beijou-a com tanta vontade, com tanta saudade que ela sentiu a força do seu beijo ser maior que a doçura, mas nem por isso deixou de ser maravilhoso.
Beijaram-se por um longo tempo, parece até que o dia se foi e a noite se fazia presente quando eles, já sem fôlego, largaram um da boca do outro.
- Por que não respondias meus e-mails? Por que me ignorou, Aninha?
- Não sei Thygo, por medo eu acho.
- Medo do que?  - Ele parecia incrédulo.
- Do que? Sério que você me faz essa pergunta? Olhe para você. Olhe para a sua vida. E agora olhe para mim e quem eu sou. Por favor, não é Thygo, resposta óbvia. - Aninha já estava chorando antes mesmo de terminar sua explicação.
- Como assim? Você é a Aninha, a minha Aninha. A mulher que me fez atravessar o mundo para reencontrar. A mulher que me fez acreditar no amor, mesmo sentindo que estava amando sozinho. - Ele segurou seu rosto com as duas mãos. - Você Aninha, é a mulher que faria com que eu abrisse mão de tudo para ter ao meu lado.
Ela chorava, ele chorava e logo estavam mais uma vez entregues um a boca do outro. Agora o beijo era menos urgente, mais paciente, mais carinhoso.
- Seja minha Aninha.
Ela levou um susto, ele queria a ela ou ao corpo dela? Mil medos mais uma vez apareceram em sua mente, e o desespero de sentir-se usada mais uma vez se fez presente.
- Então é isso Thygo? Apenas isso que você quer, não é verdade?
- Mas não é o suficiente para você, Aninha? - Ele parecia confuso.
- Deveria ser não é? Afinal o que mais uma menina metida a surfista que não sabe o que quer da vida, pode esperar de um homem a não ser que ela o sirva. - Ela estava furiosa e foi saindo do colo dele, mas foi impedida.
- Do que você esta falando Aninha? Não entendeu nada do que eu te disse, não é? - Ele apertou o braço dela para que ela prestasse atenção. - EU TE AMO! - Declarou soletrando a frase carregada de sentimentos.
Ela o olhou e percebeu o seu infantil engano. Muito envergonhada enterrou seu rosto em suas mãos, desejando que pudesse sumir daquele lugar. Ele paciente esperou que ela percebesse sim o tamanho erro que tinha cometido em julga-lo como um qualquer e a fez perceber o quão verdadeira eram suas palavras, a ponto dele ficar ali esperando ainda por ela.
- Onde eu assino? - Perguntou ela tentando quebrar o clima.
- O que você disse?
- Onde eu assino para que tenhas posse total sobre a minha pessoa?
Thygo parecia não acreditar no que estava ouvindo e ao perceber que ela falava sério, mesmo em tom brincalhão agarrou-a e mais uma vez devorou sua boca quente.
- Prometo fazer de você a mulher mais feliz do mundo, Aninha. - Ele falava entre os beijos.
Então Aninha se deu conta de que tinha uma pessoa que talvez fosse sofrer com as possibilidades que seu compromisso com Thygo pudesse causar, sua mãe.
- Calma ai gato, temos um problema.
- Qual? 
- Você sabe que eu tenho a minha mãe e ela só tem a mim, então, o que vamos fazer sobre isso?
- Aninha ela pode ir conosco. Eu tenho um bom emprego, dá pra menter-nos com tranquilidade por lá.
- Não sei se ela toparia Thygo, minha mãe é muito independente financeiramente desde sempre, acho que ela não se adaptaria a ser sustentada.
Aninha deu a Thygo uma informação que poderia mudar tudo outra vez, que poderia até separa-los. Ele pensou, encostou mais uma vez a cabeça nas mãos e um tempo depois deu a solução.
- Ela não precisa ir Aninha. Eu volto para o Brasil. - Declarou ele bastante confiante e certo do que disse.
- Você é maluco? - Aninha estava incrédula.
- Na verdade não sei, mas por você, para não perder você novamente eu faço tudo.
Aninha o achou louco, mas ao mesmo tempo teve ali a maior prova de amor que poderia um dia esperar. Um homem, ou melhor o seu homem, declarando que seria capaz de largar tudo para tê-la para sempre em sua vida.
Completamente envolvida por tudo, pelas palavras, pelo lugar, pelo momento, Aninha decidiu que precisava sentir, pela primeira vez, o gosto de seu verdadeiro amor. Ela o agarrou pelos cabelos ainda sentada em seu colo e o puxou contra o seu corpo, fazendo com que ele e sentisse e ela o percebesse. Logo as mãos de ambos passaram a passear por seus corpos, fazendo uma deliciosa dança pré prazer.
- Você tem certeza que quer, agora?
- Nunca tive tanta certeza em minha vida. Eu quero ser sua, aqui e agora, quer lugar mais perfeito que esse? - Disse ela abrindo os braços mostrando o quão lindo e mágico era o local em que eles estavam, a praia.
Ele sorriu e a agarrou mostrando o quanto estava feliz por poder, finalmente tê-la em seus braços como sua. Continuaram as caricias, ele invadiu a parte de cima do biquíni dela com as mãos e aproveitou para revela-los para que sua boca gulosa os devorasse. Ela jogou a cabeça para trás, sentindo o prazer do que estava acontecendo. Agarrou seus cabelos em seguida e puxou a boca dele para ir de encontro com a sua. Mais um beijo quente foi dado e logo o nós que prendia a parte de cima de seu biquíni caio, deixando-a parcialmente nua.
- Opa, acho melhor carrega-la daqui. Não quero que ninguém veja essa mulher que é somente minha. 
Thygo agarrou-a no colo, fazendo com que ela o abraçasse com as pernas e braços, ocultando sua parcial nudez. Fora para baixo do trapiche da praia. Ele era escuro e pouquíssimo movimentado durante a noite, tendo apenas e lua como curiosa. Deitou-a na areia para observa-la melhor.
- És a mais bela dentre todas, Aninha! Se perfeição tem algum significado concreto, esse certamente seria você.
Ele a ganhou, se é que ela já não pertencia a ele. Entregaram-se um ao outro em uma mistura louca de amor com tesão. pareciam dois famintos e estavam dispostos a devorar um ao outro. Ele mordiscava o pescoço dela e ia descendo enquanto ela o apertava com suas pernas e puxava seus cabelos. Logo ele terminou de a despir, apreciou um pouco seu belo corpo e passou a lentamente despir-se. Uma jogada de mestre que fez Aninha surtar com o que via, um homem todo perfeito, todo gostoso e todo seu!
Ele não conteve-se e continuou a sua peregrinação pelo corpo dela chegando ao seu ponto mais desejado, fazendo-a curvar ao primeiro contato. Aninha então sentiu-se envergonhada e tentou, sem sucesso fechar a passagem dela ao meio de suas pernas.
- Calma minha menina, não vou machuca-la.
Aninha sabia que ele não a machucaria, mas tinha vergonha por toda a sua vida pregressa e mantinha-se tensa.
- Aninha não sei o por que de sua tensão, mas se é algo relacionado a sua vida, ao que passou, pronto. O nome já diz, é passado e isso para mim não mais importa.
Não precisou-se ser dito mais nada, Aninha relaxou entregando-se a ele, sem medo algum e ele deliciou-se com seu sabor, fazendo-a gemer de prazer até chegar ao seu orgasmo. 
Aninha nem se quer descansou, virou-o de costas para a areia e começou a retribuir a carícia que recebeu. Abocanhou-o com vontade, com volúpia e magistralmente passou a subir e descer por seu membro com sua boca, fazendo sua língua serpenteia-lo para seu prazer incondicional.
- Clama! - Disse Thygo já se fôlego a ponto de sucumbir ao seu orgasmo. - Quero sentir isso acontecer dentro de você.
Então puxou-a mais uma vez para seu colo e com um encaixe perfeito, que fez Aninha mais uma vez gemer, os dois começaram a dançar a dança perfeita que significava aquele momento de cópula dos dois. Juntos ditaram o ritmo, juntos acariciavam e juntos chegaram a um orgasmo de estremecer meio mundo. Ali ficaram os dois sentados ainda sobre o efeito pós prazer, mas sem desencaixar-se em momento algum planejando o futuro que os esperava.

- Aninha, acho que conseguimos chegar onde ambos queriam, certo? - Dr Gabriel tirou-a de seu sonho mais que perfeito.
Ela o olhou, parecia ser outra mulher. Olhos brilhantes, cor de pele mais rosada e um indescritível sorriso de felicidade.
- Com toda a certeza. - Disse. - Hoje percebi que preciso muito pouco para ser feliz. Preciso ser apenas eu mesma e certamente sei onde buscar-me sem medo de ser feliz, surfando a real onde do prazer.

Dr Gabriel ficou satisfeito com o resultado dessa terapia. Achava que seria mais complicado faze-la entender que ela tinha tudo, só bastava encontrar esse tudo dentro de sí própria. Satisfeito deu por encerrado o dia de terapias e resolveu correr para os braços de sua amada, gostosa e insaciável esposa, a Bia!



                                                                                                                  Beijinhos do coração.
                                                                                                                               Roberta Farig







20:53

Um dia especial! - um conto... um encontro... uma história!

Tomar banho ouvindo Lorde cantando - Royals -  é no mínimo excitante. Depois de um dia estressante de trabalho onde sua chefe frustrada resolve descontar suas iras em você que esta sempre com um sorriso no rosto independente do que for, é foda. Não, não é, por que se fosse era muito bom, é uma merda mesmo.
Duna é meu nome e estou completando 27 aninhos hoje - ebaaa. Pois é, são alguns anos de uma vida que eu espero ser longa. Tenho mil planos, mil sonhos e desejos que faço questão de realizar.
Não sou muito apegada as pessoas, minha mãe morreu quando eu ainda era uma adolescente de infarto e isso marcou-me demais, minha adorada mãe. Um exemplo de pessoa, de mulher e de ser humano para mim. Passei então a morar com meu pai, mas não por muito tempo. Logo em seguida a morte de minha mãe ele casou novamente, se juntou com uma mulher mais velha que ele uns 9 anos. Na verdade era tudo que ele precisava, ela é rica e bonitona, e ele um sem vergonha de um gigolô que fez minha mãe trabalhar por toda a sua vida pra bancar a casa, a mim e os caprichos dele. Para ele foi a melhor de todas as alternativas. E eu tive que engolir isso por um tempo. Ela, a tal mulher que nem me lembro o nome não era má para mim, na verdade não nos falávamos e pouco nos cruzávamos, eu vivia no meu quarto então nunca fui um estorvo.
Assim que completei 18 anos peguei meu rumo e fui a luta, já estava cursando o primeiro ano da faculdade de letras e já trabalhava como auxiliar pedagógica em uma escola. Depois do dia em que sai de casa sem dar tchau ou mesmo olhar para trás vi meu pai apenas mais 3 vezes, duas delas em velórios e uma no advogado que cuidou a divisão do bem que minha mãe nos deixou, a sua casa tão batalhada e conquistada. Lembro que dirigi a palavra uma única vez a ele, quando ele disse:
- Bom, vou aproveitar essa grana pra trocar de carro e comprar uma moto.
Olhei bem para ele, aqueles olhos da cor dos meus, mas tão inexpressivos, todo engomadinho, cheio de sí e disse.
- Faça bom proveito do que minha mãe conquistou. Ela sempre me ensinou a dar sem esperar nada em troca, e foi exatamente isso que aconteceu. Ela deu de tudo a você, e você nada deu a ela, e pior ainda, tirou. Graças aos céus que ela não esta aqui para presenciar a tristeza de ver a metade de tudo que ela batalhou muito para conquistar indo para as mãos de um gigolô barato.
Não esperei resposta, disse ao meu advogado que tomasse todas a providencias e depois me informasse. Coloquei meus óculos escuros para esconder minhas lágrimas de raiva e sai porta a fora sem dizer "adeus".
Fiquei alguns dias chocada e saudosa da minha mãe, mas nada que um dia cheio de trabalho não resolva. Nessa época já trabalhava na Editora TAL, uma editora modesta, mas que já estava conquistando seu lugar no espaço, tanto que hoje é uma das mais conceituadas do mercado.
Tita Lia é a dona da editora que começou apenas para divulgar seus trabalhos e com o passar do tempo tornou-se grandiosa e movimentada, com seus escritores bombando no mercado literário. O problema dela é que esse ser é instável, não sabe se quer a noite ou o dia e exige que eu, que sou sua funcionária mais próxima, adivinhe suas vontades, eu mereço né? Mas quero esquecer disso, pelo menos hoje, é meu aniversário!
Terminei meu banho dançando ao som de Beyoncé, cantando quando sabia e brincando com as letras quando entendia. Estava feliz, apesar de tudo. Moro sozinha em meu apartamento de um quarto. Não é uma kit, pois as peças são todas divididas é apenas pequenino e perfeito para mim. Não costumo ter muitas pessoas me visitando, sou daquelas que tem poucos amigos.  Digo que tenho poucos, mas que são os melhores, pois sabem respeitar meu espaço e meu jeito reservado de ser. Tenho a Barby e a Julia, que são amigas de sempre de tudo. As duas já estão encaminhadas em suas vidas. A Julia é casada e tem uma filha linda que chamamos carinhosamente de Duda. tem uma vida pacata e feliz ao lado do Eduardo. Já  Barby é noiva do Junior. Um homem que faz de tudo por ela, desde abrir a porta do carro para ela entrar até satisfazer seus caprichos, desejos culinários e mimos. Ela é feliz assim, eu particularmente não sei se gostaria de alguém feito um chiclete no meu pé, mas cada um sabe o que é melhor para si. Hoje as duas conseguiram alvará com seus amores para saírem e jantarem comigo. Além delas o Dinho, nosso amigo mais especial vai também. Ele acaba de sair de um relacionamento bem conturbado onde seu parceiro o trocou por uma loira azeda. Esta no chão, mas é um ser tão especial que sorri mesmo com vontade de chorar.
Separei um vestidinho curtinho dourado chamativo, para essa noite. Vamos a um restaurante chinês comer sushis e tudo mais. Eu amo a culinária japonesa e seria o lugar ideal para comemorar meu aniversário. O local é novo, um lounge bem aconchegante que tem nos fundos uma danceteria. As meninas deixaram claro que vão apenas jantar, o Dinho nada falou, mas eu tô bem afim de dar um esticadinha, pois além de ser meu aniversário eu tô merecendo. Algo me diz que essa noite vai ser inesquecível, e assim eu espero.
Essa semana meu couro foi tirado na editora, a Tita não sabe resolver os problemas que se envolve e acaba por jogar a bomba no meu colo. Desta vez foi uma escritora em inicio de carreira que quer lançar seu livro e nos procurou. Seu livro é bem bonitinho, um romance bem meladinho, mas que certamente fará um sucesso com as leitoras românticas. O problema é que os prazos de entrega e lançamento foram se esgotando, tudo por que a Tita teve um "pit" com o povo da gráfica e eles se recusaram então a rodar o livro. Se ela tivesse me falado isso antes talvez tivesse resolvido, mas ela sempre se acha o suprassumo do máximo. Ai agora a merda toda caiu nas minhas mãos. Conversei com a escritora que estava enfurecida, e com razão, mas com jeitinho consegui convence-la a esperar por mais alguns dias e então eu resolverei o problema. O pior é que Tita achou ruim eu fazer a política de boa vizinhança com a escritora, achou que eu deveria deixar ela nos processar, como já aconteceu antes. Mas não são boas as lembranças dos processos sofridos anteriormente pela editora. Um deles por sinal quase nos levou a falência. Bom o caso é que a Tita é uma ótima revisora, uma ótima caça talentos, mas uma péssima administradora. Então eu que sou apenas uma auxiliar de edição acabou desempenhando diversos papeis em meu trabalho. É bom ser útil, mas é melhor ser valorizada por isso, só que não sou. Então ultimamente ando trabalhando desmotivada, cansada e já pedi minhas férias vencidas a meses. O telefone tocou tirando-me de minhas tristezas.
- Oi boneca, esta pronta? - Dinho e seu jeito único de me deixar feliz.
- Já te disse que te dou casa, comida e roupa lavada? - Brinquei - Estou só nos retoques finais.
- Certo, em quinze minutos estou ai. - Desligamos e eu tratei de terminar de me arrumar.
Pontualmente meu interfone tocou quinze minutos depois, desci toda confiante, estava uma gata.
- Opa! - exclamou Dinho. - Acho que vou reconsiderar suas investidas minha deusa.
Gargalhei divertida. Estávamos lindos, eu vestia um vestidinho curto dourado fosco com detalhes em preto, brincos delicados e uma rasteirinha de cor preta com brilhos em strass dourado e Dinho estava lindo em um traje negro, todo social e muito cheiroso. Ele sempre se veste bem quando sai conosco, disse que isso nos protege de homens abusados. As meninas adoram e eu apenas aturo né aff.
- Vamos? - Perguntei dando uma piscadinha.
Saímos em direção ao restaurante em seu carro importado. Dinho é um gerente de uma loja automotiva e tem tido sucesso em seu trabalho. Fomos cantando músicas de Pink, Morron5 e alguns outros. na verdade ele cantava fluentemente e eu apenas enrolava, cada vez mais consciente que deveria voltar para minhas aulas de inglês. Chegamos minutos depois e Julia e Barby já nos esperavam em uma mesa reservada. O local era mesmo lindo, aconchegante e muito bem frequentado, pessoas lindas estavam em toda parte.
- Olá meninas lindas do meu coração!  - Saudei abraçando e beijando minhas amadas amigas.
- Oi minha linda, feliz aniversário mais uma vez! - Disse Barby que já tinha me ligado logo cedo para me felicitar.
- Parabéns amiga! Que esse aniversário te traga um homem bem lindo para você dar jeito em sua vida. - Julia, sempre querendo me arranjar um marido.
Abracei-as com vontade, amo o jeito que elas me tratam e a sinceridade de nossa amizade. Dinho juntou-se a nós em um big abraço. Logo sentamo-nos a mesa e pedimos então nossa combinação gigante de sushis. Diferente de outras vezes que sempre comemos mais do que bebemos pedimos um drink cada um e brindamos a nossa felicidade.
- Eu faço esse brinde em agradecimento a vida. Por tudo que tenho recebido, mesmo que parte disso seja aturar a chata da Tita, mas que mesmo assim é quem me dá emprego. Agradeço por ter vocês em minha vida, uma grande alegria para mim. - Eu fiquei emocionada. Todos nós ficamos na verdade.
Conversamos, bebemos e comemos muito, eu mesma estava me sentindo estufada. O Dinho visivelmente estava alegrinho, meio que aproveitou para afogar as mágoas. As meninas logo estavam impacientes por voltar para seus amores e eu vi que terminaria a noite sozinha.
Despedimo-nos e eu fiquei um pouco mais ali, sentada e bebendo um ultimo drinqk. Logo percebi uma movimentação intensa de entrada em uma porta. Era a entrada da danceteria do local. Nunca tinha ido lá, na verdade a tempos não saia para dançar. Não estava muito animada, afinal estava sozinha, mas alguma coisa disse para que eu fosse até lá e me divertisse. Peguei o copo do meu drink e fui em direção a porta. O segurança abriu a porta para mim sem questionar e eu entrei. A música eletrônica tocava alto e muitas pessoas dançavam na pista de dança. Era um local pequeno, meio que "VIP" e pensei que então aquele não era o lugar que eu deveria estar. Fui me virando para sair quando esbarrei em um homem lindo de morrer. Para minha infelicidade derrubei toda minha bebida nele que estava vestindo uma camisa branca e que ficou amarelada com minha bebida.
- Oh, desculpe! - Eu disse completamente sem graça. Ele estava paralisado, parecia enfurecido comigo e eu percebi que estava encrencada.
- Deveria olhar por onde anda moça. - Ele disse agora tentando afastar a blusa colada ao seu belo corpo.
- Bom, na verdade não tenho olhos nas costas, então creio que tenha sido um acidente. - Respondi defendendo-me, afinal não tive a intenção de trombar com ele. Mas tava tão hipnotizada por seu corpo que nem estava raciocinando direito.
Ela parou e me olhou, parecia intrigado com minha boca bem ágil. Abriu um sorriso maroto e saiu, deixando-me ali parada a ver navios.
Fiquei muito brava, além de ter ficado sem meu drink fiquei chupando o dedo, com vontade de chupar outra coisa. - "Meu Deus, controle-se Duna!"
Resolvi voltar ao bar e pegar outro drink antes que minha noite se acabe.
Sentei em um banco vario no canto do bar e pedi minha bebida. A garçonete parecia muito simpática e caprichou no meu copo. Será que ela viu o quão desastrado tinha sido meu ultimo encontro? Sorri sozinha relembrando o que aconteceu, do meu encontrão com aquele pedaço de carne delicioso. Só de lembrar senti meu corpo reagir cheio de tesão. Como pode isso? Não sou nenhuma santa, mas só de esbarrar em alguém e já ficar assim é no mínimo loucura!
- É por conta da casa. - Ali percebi que minha suspeita tinha um grande fundamento.
- Vou aceitar como presente de aniversário. - Respondi divertida e ela então abriu um lindo sorriso e deu uma piscadela para mim. Não entendi nada, só espero que ela não esteja me cantando. Nada contra, só não sou adepta a sexo com pessoas do mesmo sexo que eu.
Continuei contemplando o lugar que era muito bem decorado,uma iluminação bem over e pessoas de todos os estilos, mas claramente a alta sociedade predominava nesse lugar. Ainda bem que eu estava super bem vestida, ou me sentiria um peixe fora d´agua. Resolvi levantar-me e dançar um pouco, logo iria embora então só queria relaxar ao som de uma boa música. Fiquei perto do balcão, assim teria onde apoiar o meu copo.
Musicas variadas tocaram, todas remixadas, com Guetta predominando, e eu estava extasiada, amo Guetta, tanto que o toque do meu celular é a musica Titaniun. E quando ela começou a tocar então, permiti-me soltar meu rebolado deixando meu corpo ser guiado pelas batidas da música. Tem uma parte da música que fala assim: "Sou criticada, mas todas as suas balas ricocheteiam. Você me derruba, mas eu me levanto!" Essa parte tem tanto a ver comigo, com minha vida, com minhas lutas e com minhas vitórias e também derrotas, pois ambas nunca deixam-me ao chão. A música terminou, eu estava me sentindo feliz e pronta para ir pra casa, quando a simpática barwoman veio ao meu encontro.
- Por favor, você poderia me acompanhar?
- O que? - Perguntei sem entender nada.
- Estou convidando você para me acompanhar, por favor. - Ela esclareceu simpática.
Fiquei receosa, afinal não creio que tenha feito nada de errado. Bebi apenas o drink que ganhei de cortesia da casa, até por que não estava inspirada para encher a cara e dancei apenas para mim mesma, quietinha no meu canto. Mas percebi que não teria muitas alternativas e agora a curiosidade já estava aguçada. Segui-a até uma porta no canto do local onde tinha um segurança na porta muito sério. Olhei para ele até que a moça convidou-me a entrar. Ele me encarava e eu assim que entrei dei uma piscadela para quebrar o clima e deu certo, ele abriu um sorriso torto que continha uma grande vontade de gargalhar.
O lugar era claro, tons pasteis predominavam no ambiente, um sofá que mais parecia um divã estava localizado no centro do ambiente, que não soube distinguir se era um quarto, uma sala ou sei lá o que. no lado direito de quem entra tinha um painel com fotos sensuais de mulheres e homens agarrados, parecia uma seção orgia. Sob o painel tinham uma bancada cheia de gavetas, ao que parece de madeira maciça. minha curiosidade agora estava voltado ao que poderia ter nessas gavetas, mas preferi apreciar o resto do ambiente, quando fui surpreendida.
- Boa noite dona estabanada.
- Ah, não acredito! - Estava surpresa.
Era o dito cujo que esbarrei a pouco na pista de dança. Esta sentado em uma poltrona atrás de uma mesa grande, também de madeira maciça.
- O que foi, não gostou de me ver?
- Pergunta difícil de responder nesse momento. - Respondi muito debochada e ele apenas sorriu. - Você é quem vai me dizer se gostarei ou não de encontrar você aqui.
- Que boca ligeira e esperta. Direta você, ein?
- Sempre. - Respondi sem rodeios.
E realmente em minha vida sempre fui muito direta, praticidade e agilidade são meus lemas. Afinal, sozinha na vida, dependendo e contanto apenas comigo mesma, era de se esperar atitudes assim, não é verdade?
- Mas e ai, o que me trouxe até aqui? Além de minhas lindas pernas, claro. - Falei fazendo gestos que destacavam minhas pernocas de fora.
- Verdade, ainda bem que suas lindas pernas a trouxeram até mim. Mas não foi para conversar que eu mandei que te trouxessem, ou pelo menos não apenas para isso.
Fiz minha cara de paisagem, como se não tivesse entendido o que ele estava dizendo, mas bem sei, esse filho de uma boa ou má mãe quer me comer, é só olhar a cara de lobo mau dele.
- Então me diga o que você quer comigo? - Quero ignorado, e calmo; Por ignorado, e próprio; Por calmo, encher meus dias; De não querer mais deles; Aos que a riqueza toca; O ouro irrita a pele; Aos que a fama bafeja; Embacia-se a vida; Aos que a felicidade; É sol, virá a noite; Mas ao que nada espera; Tudo que vem é grato. 
- Nossa és um amante das belas letras? - Declarei boquiaberta.
- Claro, conheces? 
- Como não? Amo Fernando Pessoa. - O que realmente é verdade, para mim é o mestre das palavras.
Ele levantou-se da poltrona que estava sentado e veio lentamente, em minha direção. Meu coração vacilou, oscilando a cada paço que ele dava em minha direção. Quando a distancia entre nós era de pouco mais de dois palmos ele parou com seu olhar fixo no meu. Seus olhos eram verdes, pareciam esmeraldas, nunca tinha vistos olhos assim. Ele respirou fundo, parecia capturar o perfume que exalava de mim. Eu agora percebi que estava suando, mas acho que não estava com o "cc" vencido.
- Doce como imaginava, e com uma pitada de pimenta, acertei?
- Sua aptidão com perfumes é exata. - Fiquei mais uma vez surpresa. 
Ele então levantou uma das mãos para tocar meu braço. Me arrepiei com o contato, sua pele era levemente fria.
- Mesmo suada, sua pele é macia. Doce e macia, combinação perfeita. - Ele lambeu a boca ao declarar e sorriu. Que sorriso era aquele? Lindo e branco, perfeito. Ele parecia um ser sobrenatural, tipo os vampiros dos livros que li da Irmandade Adaga Negra, poderosos e perfeitamente gostosos. 
Eu estava completamente entregue a sua mão em meu rosto e percebia que seu corpo se aproximava lentamente, como se estivesse flutuando. Logo meus lábios sentiram a firmeza sedutora dos dele e minhas boca deu total liberdade para que sua língua invadisse-me. Era o beijo mais diferente que já tive, algo que me fazia sentir prazer e dor, pois era intenso. Era forte e ao mesmo tempo delicado. Era doce e ao mesmo tempo amargo, era simplesmente único. 
Quando ele se afastou eu estava ofegante enquanto ele dominava as emoções com maestria. Meu corpo tremia, como se estivesse vivendo uma abstinencia de seu beijo.
- Isso é loucura demais. - Disse passando as mãos no cabelo e mordendo meu lábio ainda dolorido.
- Não faça isso, por favor. Ou não responderei por meus atos. Meus limites são meio que limitados, não costumo seguir muitas regras, eu simplesmente satisfaço os meus desejos na hora em que eu quero.
- Nossa, como é poderoso esse homem. - Debochei, mas estava nervosa.

- Não tens noção do tamanho do meu poder. - Disse ele em um tom que misturava sensualidade e ameaça.
- Certo, já chega de brincar de "O poderoso chefão". Quem é você e o que quer de mim?
Ele ficou me olhando, acho que analisando a maneira que estava, tremendo e bem nervosa, mas também pudera. O homem esbarra em mim, depois manda me chamar, toca-me, seduz-me, beija-me e quer que eu fique como, sorrindo e bem tranquila? Tá, não nego que estou até feliz, ser beijada assim nessas circunstâncias, com tanta vontade e assim no escuro, sem saber quem é meu cavalheiro beijador foi muito gostoso.
- Você tem certeza que quer saber quem eu sou? Não prefere o anonimato e curtir o momento? - Na cara de pau ele falou isso e voltou a se aproximar de mim.
- Nossa que proposta mais indecente. Sinceramente você deve ser um lunático e eu não tô afim de pagar pra ver. - Uma mentirinha básica para valorizar meu passe, estava sendo fácil demais.
- Certo, comece por você. Tudo que você falar em sua apresentação eu responderei.
- Tá certo, vou te dar essa chance e começar. - Disse e ele de uma gostosa risada, fazendo-me derreter. - Pare de me desconcentrar. - Ele levantou aos mãos como quem se rende e eu apenas sorri.
- Sou Duna. - Disse começando.
- Muito prazer Duna, eu sou Bryan.
Essa foi fácil, vamos apimentar as coisas.
- Ok, sou formada em Letras e trabalho em uma Editora. 
- Certo, acho que é bem óbvio. Sou empresário e dono deste e de mais alguns outros restaurantes. Na verdade tenho uma franquia.
- Vamos dificultar as coisas, por que isso esta fácil demais. Eu moro sozinha em um apartamento modesto, mas que é muito meu. - Pergunta bem específica, será que ele é casado?
- Hum, ágil você ein. - Pronto peguei ele. - Eu também moro sozinho em um apartamento, mas que não é nada modesto, e que também é muito meu. 
Oba ele é solteiro! E agora o que mais perguntar? Idade nem pensar, jamais vou falar a idade que eu tenho. Não que eu tenha problemas com a idade, mas assim no primeiro encontro ou contato, seja lá o que isso aqui seja seria um pouco demais. Até por que esse homem é um Deus grego e tenho até medo de ser mais velha que ele. Percebendo meu dilema interior ele resolveu questionar-me.
- E agora Duna, qual a próxima pergunta?
- Não sei, acho que acabaram-se as perguntas.
- Mas já? estava me divertindo com você brincando de detetive. - Ele debochava de mim, isso estava claro. - Pois eu tenho perguntas a fazer, posso?
Eita agora a coisa ficou séria, o que será que ele vai perguntar.
- Podemos tentar. - Disse.
- Direitos iguais, não é isso que as mulheres buscam a muitos anos? Eu mesmo acompanho a luta feminista a algum tempo e aprovo suas reivindicações.
Opa uma pista, ele não é tão jovem quanto parece. O que o dinheiro não faz com a pessoa né? Mas em fim, estou num mato sem cachorro agora.
- Vai lá sua vez de ser o detetive.
- Perfeito. Fiquei sabendo que hoje é seu aniversário. 
- Como você sabe? Ah, mas é claro. Sua barwoman deve ter dito. - Ai então comecei a pensar que talvez aquela bebida que ganhei tivesse sido dada por ele. - Pera ai, foi você quem me deu aquele drink, certo?
- Correta e nem sabia que era seu aniversário, foi apenas uma retribuição após você ter perdido todo seu drink virando em cima de mim. Por que se soubesse eu teria feito mais pelo seu dia especial, inclusive dado o jantar de cortesia a você e seus amigos. E por falar nisso, o homem que estava com vocês é seu namorado?
Gargalhei, alto e muito divertida.
- Não entendi o motivo da graça Duna. - Ele pareceu irritado e eu resolvi me conter um pouco. - Responda-me, por favor.
- Claro que não. - Disse ainda rindo. - Aquele é meu amigo mais que especial Pena que é meu concorrente, já que gosta da mesma fruta que eu. - Agora até ele riu.
- Nossa, mas como não percebi isso? 
- Na verdade ele estava fazendo papel de homem da mesa, protegendo as meninas que tem noivo e marido e me protegendo dos gaviões, como ele diz. Claro que ele fica de olho também para dar o bote em alguma presa. E vou te dizer, ele ia te cantar fácil fácil.
- Bom, ainda bem que não o fez, ou explicaria para ele que meu gosto é bem natural a minha espécie.
- Ah é, e qual é a sua espécie?
- Sou um predador que tem preferência por belas mulheres. - Ele disse e aproximou meu corpo ao dele sem nem eu perceber. - Assim como você, que é a mais bela que eu já vi em toda a minha vida.
Agora eu percebia a nossa proximidade, na verdade percebia seu desejo encostado em mim dando sinal de que estava pronto para me atacar. Senti medo e me perguntei o que eu estava esperando de tudo isso.
- Você é ousado demais, não acha? - Eu não podia ser tão fácil assim.
- Você não esta gostando? Me afasto agora mesmo, Duna. - E foi se afastando, mas eu não estava afim de deixar que isso acontecesse, por mais louco que fosse.
- Na verdade não sei se estou ou não gostando e nem se vou gostar do que esta para acontecer. Mas você pode me dizer, não pode Bryan? - Segurei-o pelo laço que sustenta seu cinto.
- Tudo que eu quero nesse momento Duna é mostrar-te o quanto eu posso ser maravilhoso em sua vida, basta você deixar.
- Pera, vamos com calma. Quem sabe você me mostra seu poder de predador hoje, e a vida a gente deixa para depois.
Ele pareceu ter gostado da minha proposta, pois sorriu e beijou-me mais vorazmente que da ultima vez mas não menos carinhoso. Logo senti suas mãos sustentando-me pelas costas liberando assim minhas mãos para seguirem por seus cabelos e rosto. Ele tem e pele macia, mas fria e seu cabelo era o mais sedoso. Agarrei ele com força fazendo-o gemer como um bicho voraz, e isso foi simplesmente excitante. Logo ele me carregou até a bancada que continha fotos em sua parede, e deu-me um tempo para respirar.
- Posso fazer você ir ao encontro de seus sonhos eróticos mais ocultos Duna, basta você deixar.
Isso certamente era um pedido e eu já estava sedenta da boca dele novamente e do que ele parecia prometer que ia fazer.
- Faça o que quiser, desde que não me machuque e que eu volte viva para casa. - Disse brincado e já puxando-o para perto de mim.
- Perfeito, respeitarei seus limites por hoje, mas tenho certeza que um dia mudarás de ideia.
Não entendi o que ele quis dizer, mas também pouco importava, quero apenas senti-lo dentro de mim.
Ele então acariciou minhas pernas descendo até meus pés, livrando-me de minhas rasteiras. Depois voltou pernas a cima até chegar na junção entre elas, fazendo dar um leve gritinho de excitação.
- Calma, antes de eu conhece-la preciso prepara-la.
Ele então abriu uma das gavetas que estava no móvel em baixo de mim e retirou algemas. Eu sorri divertida, até por que sempre quis "brincar" com algemas.
- Não sei se você já as usou, mas prometo fazer com que elas me ajudem a dar a você apenas prazer Duna.
- Nunca as usei, mas a curiosidade em usa-las, em seu poder de excitação sempre foi grande. Mas em minhas relações sexuais nunca as usaram em mim.
- Que bom, serei o primeiro e garanto que o único a usa-las em você depois de hoje. - Ele parecia sombrio. 
Tive pela primeira vez medo dele, mas ele nem me deu muito tempo para pensar. Não tinha notado mas camuflado nas fotos atrás de mim tinha um gancho e ele prendeu minhas mãos a esses ganchos com a ajuda das algemas. Quando percebi estava completamente entregue a ele e a tudo que ele quisesse fazer comigo. Lembrei-me que ele falou e pareceu sincero que não me machucaria, então resolvi relaxar e pagar para ver.
- Você esta tão divina neste vestido colado ao seu corpo que fico me perguntando o que você vai achar depois que eu fizer isso. - Ele rasgou meu vestido, transformando-o em trapos. - Mas não fique zangada, pois essa visão é muito melhor.
Com muita raiva pois amava o meu vestido dourado eu dei graças a Deus por estar de lingeries pretas e novas. Eram básicas, poucas rendas, mas novas.
Ele estava parado em minha frente me olhando, parecia me venerar. Isso estava sendo torturante demais e resolvi provoca-lo.
- Olha aqui, não tenho vocação para santa, então pare de me idolatrar assim. Estou aqui para arder no fogo do inferno, então faça o favor de vir acender meu fogo.
Ele deve estar adorando rir da minha cara por que ele gargalhou muito, e até eu fui obrigada a rir da minha audácia e falta de vergonha na cara.
- Seu pedido é uma ordem, Duna. Vou leva-la ao inferno e garanto, você vai adorar.
E foi dada a largada. Ele amarrou meus pés um em cada gancho que estava localizado nos cantos no armário em baixo de mim, mas desta vez usando cordas. Apoiou-os em pequeninas prateleiras também laterais, fazendo minhas pernas dobrarem num ângulo de mais ou menos noventa graus. Minhas pernas ficaram abertas, dando total visão de meu corpo e eu comecei a esquentar de novo.
Ele então tirou sua camisa com calma revelando seu peitoral másculo e muito bem definido. Babei literalmente agora, salivando de desejo por aquele corpo. A visão dele de calças sociais com o botão aberto, sustentadas apenas pelo zíper ainda fechado e já sem meias e sapatos, que eu nem sei como ele tirou foi a visão do céu. 
De repente um som maravilhoso começou a tocar. Uma música do Nickelbak - Far Away, mas apenas no violão. Então ele caiu em meus pés e começou a beija-los e suga-los. Não tive nojo, o tesão que eu estou sentindo era superior a tudo, era demais. Foi subindo perna a cima beijando-me e dando-me leves mordidas. Eu estava sentindo nas nuvens, realmente entrando no paraíso, mas só adentrei-o quando ele usou sua língua para invadir-me, fazendo um gemido sair de mim sem medo de ser ouvida. Ele mexe sua língua com total certeza do que esta fazendo e eu estava entregue a esse prazer. Meus quadris começaram a balançar e estava prestes a um orgasmo, que não demorou muito. Ele substituiu sua língua por seus dedos e invadiu-me, sem eu perceber, só notando quando senti meu próprio gosto em minha boca através de seu lábio. Movi mais um pouco meus quadris e gozei, mordendo seu lábio inferior, fazendo desta vez ele gemer. Foi a melhor gozada da minha vida, jamais senti o prazer que ele tinha me proporcionado. Mas sua boca ainda estava na minha e sua mão tinha sumido de meu corpo, só as senti quando ele me pegou pela bunda, e também foi quando percebi que eu estava solta, sem algemas e sem amarras. Agarrei-o e ele me carregou até a parede do lado pressionado-me contra ela.
- Já esta preparada? - Ele certamente estava perguntando se já tinha me recuperado de meu orgasmo.
- Só se for agora. - Declarei sedenta de prazer.
Não precisei falar duas vezes, ele adentrou-me sem pudor, sem medo, mesmo sabendo que meu corpo reagiria ao tamanho de seu membro.
- Aiiiiiiiiiiii - Gritei muito alto, mas nem tive tempo de sentir mais dor.
Suas estocadas começaram a ser seguidas, fazendo meu corpo adaptar-se fácil a ele, mesmo grande, dentro de mim. Era pra lá de prazeroso senti-lo dentro de mim, e suas mãos massageando minha bunda intensificava as coisas. Fui devorando a boca dele, ajudando-o a tornar esse prazer intenso para nós dois e ele parecia enlouquecido, já que seu ritmo era alucinantemente rápido, mas não sentia dor, só um prazer inexplicável. Logo estava a beira de outro orgasmo.
- Não tranque, deixa ele acontecer. - Nem pensei duas vezes e gozei, agora jogando minha cabeça para o alto completamente entregue a onda de prazer. 
Ele diminuiu um pouco o ritmo, beijou-me no pescoço e começou a dar mordidas que agora pareciam mais fortes. Eu senti dor e gemi, foi como um aviso a ele, que voltou a apenas beijar-me no pescoço. Mas junto voltou as suas investidas. Achei que não tinha mais forças para continuar, mas surpreendentemente ele tem o dom de despertar em mim minha sexualidade oculta, com certeza. Beijei-o novamente dando vazão ao tesão que já estava novamente sentindo. E ele levou-nos mais uma vez sem eu perceber ao divã deixando-me em cima, para que pudesse controlar a situação.
- Agora é com você, Duna. Mostre-me seu poder.
Comecei então a cavalgar nele, como se nem tivesse tido dois orgasmos e enlouquecida de tesão. Ele urrava e parecia louco de tesão também. Quicava em seu colo sentindo-o ainda mais dentro de mim. - Nossa como é grande e grosso, e como sinto prazer ao senti-lo penetrar em mim. - pensei sentando em cima dele com força a vontade. Ele devorou meus seios, passou a suga-los, beija-los, massageá-los com sua boca ágil fazendo-me gemer e aumentar minhas mexidas em seu colo. Logo estava eu novamente a beira de um orgasmo, mas desta vez queria adia-lo, pois o prazer que que estava sentindo era sobrenatural.
Aumentei meu ritmo, não sei de onde tirei tanta força física, mas eu literalmente pulava em seu colo completamente fora de mim. Ele então nos levantou, deitou-me no tapete e sem tirar-se de dentro de mim em momento algum começou a torturar-me.
- Goze, Duna. Adoro ver você gozar.
- Não, desta vez você goza comigo. - Agarrei seu cabelo, devorei sua boca e curvei meu corpo, dando a ele mais trabalho e assim tornando tudo mais gostoso.
- Sua danada, assim eu não vou mais aguentar. - Disse ele sussurrando.
- Essa é a ideia. Goza comigo!
Não demorou mais que um minuto e em uma estocada forte e dura gozamos juntos, apertando-nos um ao outro como se fôssemos um só. Foi indescritível o prazer que eu senti, jamais imaginei ter um prazer assim.
Ficamos deitado, ele sobre mim por algum tempo, mas não sentia o peso do seu corpo, apenas o sentia ali. Foi bom e acho que eu dormi, pois quando eu acordei estava enrolada em um roupão preto de cetim e apenas tinha a lembrança de uma frase.
- Você é mais do que eu mereço. Só espero que você não me rejeite pelo que eu sou, pois não suportaria mais viver sem você, Duna.
Olhei em minha volta e percebi-me sozinha na sala onde tinha acabado de viver o momento mais intenso de toda a minha vida. Mas foi por pouco tempo, logo a mesma  barwoman entrou.
- Olá Duna, você esta bem?
Ajeitei-me, mas nem era preciso, quem quer que tenha me vestido, e eu espero que tenha sido ele, fez um ótimo trabalho.
- Sim, mas onde esta o Bryan?
- Na verdade ele teve que se ausentar e pede mil desculpas. Pediu-me que a levasse para sua casa e assim eu farei. Esta pronta? - Ela estava seguindo ordens e estava claro que as cumpriria.
- Olhei mais uma vez em minha volta sentindo-me vazia e usada. Nunca tinha me sentido assim e inevitavelmente uma lágrima correu em meu rosto.
- Não, por favor, não fique triste. O Dr Bung deixou esse bilhete para que eu a entregasse assim que a deixasse em casa, explicando tudo. Fique calma, esta tudo bem.
Não questionei, levantei-me e vesti minhas rasteiras que estavam próximas aos meus pés. Percebi uma bolsa junto da minha e certamente seriam os restos do meu vestido. Pensei em deixa-los para trás, mas achei melhor não deixar nada meu com esse homem frio e sem coração.
Caminhando por um corredor pouco iluminado fui pensando em tudo que tinha acontecido a pouco. No quanto senti-me desejada, poderia dizer até amada. No quanto prazer eu pude sentir e dar, eu acho. Agora já não tinha certeza de mais nada só de que tinha sido feliz, mas acabou. Lágrimas me acompanham em todo o meu percurso até avistar um carro preto. Nem sei se é nacional ou importado, mas pelo seu interior era um carro bem caro. Fui sentada sozinha no banco de trás, enquanto a tal mulher foi na frente junto com o motorista. Por todo o trajeto fomos calados, ouvia apenas meus pensamentos completamente confusos. Se eu não estivesse completamente sem roupa até duvidaria de tudo que aconteceu.
Chegamos em frente a minha casa bem rápido e o quanto antes queria entrar dentro dela e esquecer tudo isso que estava vivendo com um banho muito quente e demorado.
- Chegamos. - Disse a mulher ao abrir a porta do carro para mim. 
Eu sai do carro e percebi que o dia estava clareando. Olhei para ela e agradeci com um meio sorriso, sem despedir-me. Segui em direção a porta do prédio, mas fui impedida.
- Duna, aqui esta o bilhete do Dr Bung. Por favor, pegue-o, leia e depois faça o que quiser. Seja feliz e boa sorte.
Senti-me uma mercadoria sendo dispensada. Que mulher mais sem coração, tão fria quanto o seu patrão. Peguei a merda do bilhete totalmente contrariada, coloquei-o no bolso, virei-me e não quis nem saber mais de nada, adentrei meu prédio e subi até meu apartamento. Joguei-me na cama e chorei, muito.
Quando já estava cansada de chorar, tendo meu quarto iluminado pela luz do sol procurei algo para secar meus olhos e assim ler de uma vez o que o desgraçado tinha escrito no bilhete.
Abri-o e percebi que sua caligrafia era totalmente formal e arcaica para os tempos modernos. Curiosa comecei a ler.

Querida Duna,
Antes de qualquer coisa perdoe-me por isso.
Pareço uma fortaleza, mas quando se trata de

quem eu sou torno-me um fraco e covarde.
O medo faz-me agir assim, espero que lendo

esta carta possa me entender e perdoar.
És o ser mais especial que já conheci.
Uma pessoa sem igual e mesmo que depois deste, 

se você não mais quiser saber de mim,
ficarás guardada em minha memoria, em meu 

corpo como uma tatuagem para todo o sempre.
Mesmo que esse sempre signifique toda 

essa minha medíocre eternidade. 
Vou ao assunto, não quero deixa-la impaciente.
Sou um ser atípico a esse mundo.
Pertenço a classe dos exilados, dos predadores temidos

pelos seres desse planeta.
Minha condição de vida impede-me de mudar, é algo irreversível.

Mas garanto a você que em partes sou diferente dos da minha espécie, 
sou suficientemente forte para resistir aos meus instintos 
quando preciso, assim como o fiz hoje com você.
Não vou falar em palavras o que eu sou,
até por que a coragem me falta nesse momento,

mas tenho certeza que você com sua sabedoria entenderá bem 
o meu recado e se for inteligente, como sei que você é, 
manter-se-á longe de mim.
Apesar disso, de saber quem eu sou, ainda nutro a esperança
de que você por um momento de distração, deixara sua razão
de lado e permitirá a mim mostra-la o quão eu posso ser "normal"
e fazer por merecer a honra de tê-la em minha longa vida. 

Bom Duna, minha linda mulher. Sinceramente não sei que decisão
irás tomar e muito menos o que pode estar passando em sua cabeça.
Só espero que não penses que eu abusei de você, que me aproveitei
de você ou ainda que eu menti para você.
Tudo que vivemos foi o mais próximo de perfeito que eu já senti
em toda a minha vida, e caso não se repita,
mais uma vez eu digo que ficará registrado em mim para todo o sempre.

Fique bem, linda mulher e se ainda assim, depois de tudo isso,
de descobrir quem eu sou ainda me quiseres, por favor, me procure.
Você sabe onde me encontrar e eu estarei a tua espera, por toda a eternidade.
Saiba que se isso acontecer fazer-me-á o homem mais feliz que já existiu.


Fique bem, fique em paz... e volte para mim!
Do seu, para sempre seu,
Bryan Bung

                                                        ***************//***************


E ai meus amores??? Gostaram??? Descobriram quem ou o que é o Bryan???O que será que Duna vai fazer??? Muitas perguntas e dependendo das respostas e comentários vou dar continuidade a esse conto... tudo depende de vocês...
Vou ficar esperando, tá!


Beijokas do <3
Roberta Farig


13:35

5° Conto da Serie "Desejos de Mulher" - Quebrando regras do prazer

Quebrando regras do prazer


Uma mulher intrigante e linda, vendedora nata, que tem sempre um sorriso no rosto, mas que na verdade esconde desejos inimagináveis. Ninha é uma mulher jovem, acaba de completar 23 anos cheia de graça e beleza. Ela é loira, alta e muito sensual, apesar de tentar camuflar tudo isso em suas roupas discretas e sua maquiagem quase imperceptível. Ela é assim por conta de um relacionamento que acabou com o pouco de auto estima que existia nela. Juliano era seu namorado desde sempre, desde a escola, estavam sempre juntos. O problema é que a vida passou e para Ninha estava na hora de começar uma nova fase em sua vida, como casar, ter filhos e constituir uma família. Só que Juliano não compartilhava dos mesmo desejos que ela, mas era covarde e não dizia que não, alimentava todos esses sonhos nela. Até o dia em que ela o encontrou atracado aos beijos e amassos com uma mulher dentro do carro em frente a casa dele. Ela saiu de lá completamente sem chão, culpando-se acreditando que ela pudesse ter falhado em alguma coisa no relacionamento deles. Sua sorte foi que pela primeira vez na vida Juliano foi homem o suficiente para dizer a ela que aquilo foi inevitável por que ele não queria mais continuar seu relacionamento de infância com ela e que agora estava afim de curtir a vida sozinho, e que estar com ela certamente dificultaria tudo.
Deste momento em diante as perspectivas de vida de Ninha mudaram, e ela passou a desacreditar no amor, afinal se o homem que viveu com ela os últimos anos jurando amor eterno tinha mentido como confiar em um novo desconhecido. Mas lógico que como toda a mulher ela sonhava com seu príncipe encantado, mas diferente agora, pois ela queria viver o que viu ali, dentro daquele carro. O que ele nunca tinha feito com ela.
Certo dia ela estava ajeitando as coisas na loja em que trabalha e entrou um homem lindo, com uma calça jeans e uma camisa branca. Carregava uma pasta, parecia ser doutor. Ninha sentiu-se atraída por ele e sentiu sua respiração acelerar.
- Posso ajuda-lo? - Foi ela toda solícita oferecer-se para atende-lo.
- Na verdade sim, estou procurando um presente especial para minha esposa. - Ninha levou um balde de agua fria.
- Sim, claro. E pelo que você procura?
- Gostaria de algo sexy, é o estilo dela. Algo que valorize sua beleza, um vestido, quem sabe.
Ela separou vários vestidos e ele acabou optando por um branco lindíssimo de um ombro só. Quando ele foi pagar ela percebeu que ele ficou olhando-a e encabulada ela baixou os olhos.
- Aqui esta, muito obrigada pela preferência.
- Eu agradeço e deixo aqui meu cartão para você, caso precise. - Deu uma piscadela para Ninha e saiu.
"Ele é psicólogo"
Quando chegou em casa naquele dia pegou o cartão do cliente que atendeu em sua bolsa para analisa-lo melhor. Ninha tinha ficado intrigada com o que o Dr Gabriel tinha dito. Será que estava tão na cara assim que ela precisava de ajuda? Ela na verdade nunca achou-se doente, mas entendia que desde que se separou do Juliano ela isolou-se do mundo masculino. A descrença dela nos homens tornava-se dia a dia maior e quando ela olhava com outros olhos para um homem ele era casado. Dormiu aquela noite pensando no Dr Gabriel e em como ele poderia ajuda-la.
Acordou aquela manhã sentindo-se diferente, como se algo tivesse despertado-a do estado de coma pós termino de namoro que ela encontrava-se.  Pegou o cartão e agendou uma consulta. Para sua surpresa ele deveria ser famoso, pois só conseguiu horário de encaixe para quinze dias depois.
Foram dias longos, mil coisas passaram pela cabeça dela, inclusive de desistir da consulta. - "Devo estar louca. O que vou falar para esse Dr? Que eu queria que meu namorado não tivesse me traído?" - Ela tinha várias perguntas em sua mente e por elas várias vezes pegou o telefone pensando em desistir, mas algo dentro dela dizia-a que não, que lá ela conseguiria se ajudar.
O dia tão esperado chegou, ela nem conseguiu trabalhar direito, sua consulta tinha sido marcada para o final do dia. Chegou no consultório respirou fundo antes de entrar. A secretária avisou que o Dr já a atenderia e realmente não demorou nada para que a porta do consultório se abrisse e de lá saísse o lindo Dr Gabriel. Ele parecia ainda mais perfeitamente lindo hoje do que no dia de sua compra na loja, pensava Ninha.
A sala do Dr era bonita, sutilmente decorada. Ele apontou uma poltrona para que ela sentasse.
- Então Ninha, o que posso eu agora fazer por você? 
Ela ficou envergonhada, baixou a cabeça e deu um sorriso sem graça.
- Relaxa Ninha, é isso não é? Então, relaxa e vamos conversar.
Então Ninha começou a relatar, como uma tagarela toda a sua vida, dando ênfase a sua relação amorosa que terminou recentemente.
- Certo Ninha, então vamos aos fatos. Você não ficou triste apenas por ter sido traída, mas também por não ter sido tratada como a mulher que você pegou seu ex namorado estava sendo tratada.
- Como assim? - Ninha levantou-se mostrando indignação.
- Calma menina, isso não é pecado. Muitas mulheres tem desejos ocultos, e de tão ocultos seus parceiros nunca conseguem a satisfazer. Vamos tentar imaginar uma situação.
Ela sentou-se no divã e o Dr colocou uma música instrumental.

Ninha imaginou-se em uma praia, totalmente isolada do mundo e pouco movimentada. Estava ela tomando banho de sol quando percebeu que um homem vinha correndo em sua direção. Ela sentou-se na areia para observar melhor o homem vindo e indo. Ele passou como se não tivesse notado a presença dela, o que a deixou irritada. Deitou-se então de costas e dormiu.
Acordou com pingos de agua caindo em seu corpo, pensou que fosse chuva só que ao abrir os olhos percebeu um lindo entardecer. Virou-se então para entender o que estava acontecendo e parado em sua frente completamente molhado estava o homem que estava correndo na praia. Sua surpresa foi grnade, mas resolveu saber o que ele queria.

- Atrevido você. Molhando-me sem saber se quero ficar molhada.
- Na verdade quem esta na praia normalmente se molha, estou certo?
Ela apenas sorriu e ele piscou.
- Vamos tomar um banho de mar? - Perguntou o atrevido homem sem nome.
- Nem sei seu nome. 
- Nem eu o seu! - Retrucou ele.
- Atrevido mesmo você ein. Chamo-me Ninha.
- Prazer Ninha, meu nome é Ricardo. - "Ricardão" pensou Ninha cheia de segundas intenções.
- Certo, um banho de mar no final de tarde me parece agradável.
Caminharam os dois se olhando até o mar. Adentraram e Ninha sentiu seu corpo arrepiar, mesmo a agua do mar estando morna. O olhar entre eles estava se intensificando e Ninha para provoca-lo resolveu mergulhar, empinando bem seu trazeiro ao fazer isso, provocando-o é claro.
Quando ela submergiu encontrou-o frete a ela, esperando-a.
- Você me chama de atrevido e eu te chamo de provocante.
- Ora que bom, adoro mesmo provocar. - Ela respondeu.
Ele então começou a aproximar-se dela, como se as ondas estivessem os unindo. Ela teve medo e se afastou em outro mergulho, agora em direção a areia da praia. Ela pensava que lá estaria segura, doce ilusão.





Assim que saiu da agua Ninha foi agarrada em um abraço de urso por trás.
- Esta fugindo de mim? Provoca-me a gora quer me deixar na mão?
- Se você vai usar suas mãos eu não sei e não estou fugindo de ninguém.
- Que bom que não estas fugindo então, e usarei minhas mãos também, com certeza.
 Ele começou a beija-la na nuca sem preocupar-se se ela permitiria ou não. Ninha até pensou em protestar, mas certamente que a sensação do beijo em sua nunca a impediu. As mãos do João então partiram de sua cintura para sua barriga e logo estavam em seu seio fazendo Ninha dar uma leve gemida.
- Gosta disso? - Perguntou ele. Ela não respondeu nada. 
Virou-a de frente para observa-la melhor e beija-la na boca. Ai sim Ninha se perdeu, pois foi beijada como sempre quis, com urgência, com desejo, com volúpia. Ela agarrou ele pela nuca aproximando os corpos o máximo que conseguiu. Ele foi encaminhando-os para onde estavam as coisas dela, pois lá tinha uma canga estirada na areia, local perfeito para o que ele tinha em mente.
Pouco a pouco foi deitando-a na canga e acariciando seus cabelos, quando ela estava deitada frente para ele ele a observou por um tempo.
- Tão linda e perigosa ao mesmo tempo. Parece ser uma mulher misteriosa e isso é um risco, mas vou pagar para ver.
Ele partiu para beijar todo o seu corpo, passando por cada parte dele vagarosamente. João sabia o que estava fazendo e sabia como deixar Ninha enlouquecida de tesão, que era realmente tudo que ela queria.
Quando João passou mais tempo em seus seios Ninha gemia de prazer e quase entrou em combustão quando as mãos dele começaram o trabalho na parte de baixo do seu corpo. Ela arranhava o corpo dele sem dó, e ele ao que parece gostava por que quanto mais ela o arranhava mais ele a provocava com sua língua e mãos habilidosas. Ela perdeu qualquer vergonha e pegou com vontade em seu membro que estava latejando, literalmente pois ela conseguia sentir a pulsação dele lá. Logo ela tava completamente nua e a lua se fez presente dando a privacidade necessária aos dois. Não que isso fosse ser um empecilho, naquela altura do campeonato ele nãos e preocupavam com mais nada, apenas com o mundinho particular deles.
- Agora vamos a melhor parte, eu dentro de você.
- Ansiosa aqui! - Ela deu carta branca a ele.
Ele a penetrou vagarosamente ampliando a dor do primeiro contato e intensificando o prazer. Ela puxou os cabelos dele e ele mordeu de leve sua boca. Então os dois começaram a embalar-se num ritmo frenético de prazer. Ela por baixo e ele por cima, os dois encaixados com maestria, tanto que ele levantou o quadril dela para ter mais facilidade em adentra-la. Ela estava enlouquecida de tesão, completamente entregue ao ritmo dele, permitindo-se apenas extasiar de prazer. Quando ela percebeu que estava chegando perto do seu orgasmo com um impulso sentou-se no colo dele e passou a cavalga-lo.
- Que delícia! - Ele adorou a iniciativa dela e permitiu-se agora deixa-la conduzir o ritmo das investidas.
Logo ela viu-se perdida em seu orgasmo e beijou-o com vontade, percebendo ele que ela estava chegando ao seu clímax então aumentou a pressão contra ela e gozarão juntos, fazendo-o cair de costas na areia, tendo ela o acompanhando.
Ficaram abraçados nus observando o luar por algum tempo, sem nada dizer apenas acariciando o corpo um do outro.

- Certo Ninha, acho que por hoje já chega, não é verdade?
Ninha foi trazida a realidade bruscamente e uma lágrima saiu de seus olhos.
- Oh desculpe querida, não queria causa-la nenhum tipo de dor. - o Dr parecia mesmo agora constrangido.
- Não Dr, tudo bem. O senhor proporcionou-me hoje certamente momentos de muita felicidade, só não queria acordar de meus sonhos.
- Mas então Ninha, agora que você acordou procure trazer seus sonhos para a realidade. Adapte sua vida ao que você deseja e quem sabe a felicidade baterá a sua porta.
Ninha pensou no que o Dr disse e percebeu que ele tinha razão, que agora tudo detpendia dela.
- Tá certo Dr, agradeço sua ajuda.
- O prazer em ajuda-la foi meu, e volte se precisar, estarei sempre aqui no mesmo lugar.
Ninha saiu do consultório sentindo-se outra mulher e disposta a apagar o passado e viver seus sonhos de amor sem pensar em regras ou algo do tipo, mas sim buscando sempre sua satisfação pessoal, seu prazer.



Espero que tenham gostado... comentem e voltem sempre...

Beijinhosss
Roberta Farig

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